segunda-feira, 27 de maio de 2013

E depois,viver

Daqui
Chega um momento,que queremos flutuar um pouco.Que queremos apenas mergulhar e não voltar a superfície tão cedo,porque aqui em cima,a gente acaba desistindo de viver todas as manhãs,que antes haviam uma certa razão de se querer viver antes mesmo de se tomar café-da-manhã,mas agora as enxaquecas são tantas que nos impedem de pensar que dia é hoje e as horas que o relógio marca.É um intenso frenesi sem explicação.É poça de água suja que não se da mais pra pisar,é calçada cheia de pessoas/lixos/entulhos que não se anda mais.São tantas loucuras guardadas em volta de papel de bala,que ficou dentro da minha mochila,que agente nunca mais sabe se isso é certo ou não.
De repente,aquele aquário não faz mais sentido para mim.Eu simplesmente quero ver o mar,ouvir as ondas batendo calmamente na praia,algo que desejo ver ao um certo tempo,mas não sei nadar,não nadarei,apenas observarei com meus óculos limpos e com o por-do-sol a vista no horizonte.Não avisarei quando vou voltar para casa,apenas direi adeus a tudo o que me da enxaqueca,só quero ver o mar,não as pessoas que me rodeiam e andar na chuva fria no fim de tarde,porque ela é melhor que a aula de matemática.
E depois,viver.

sábado, 25 de maio de 2013

(uni) verso

Daqui

O mundo todo cabe
Somente num 
Único verso
Morte e vida
Nenhum sentido
Neste último verso.

domingo, 19 de maio de 2013

Vou-me embora pra Gallifrey*

Daqui

Vou-me embora para Gallifrey
Lá poderei viver
Sem tem que perceber
O quanto tempo passou

Vou-me embora pra Gallifrey
Vou-me embora pra Gallifrey
Que lá seja a minha casa 
Que todas as aventuras que imaginei
Eu as viva todas as manhã
Antes de tomar café
Viajando no tempo-espaço 
Sem sair de casa

E como viajaria!
Para todos os planetas
Que existem no universo
Veria a Lua
Passaria algum tempo em Netuno 
Mas se me cansasse 
Veria Júpiter em seu maior explendor
Correria entre Roma e a Idade Média
Veria Antonieta perdendo sua cabeça
Às 8 da manhã
Da porta da minha Tardis

Em Gallifrey é diferente 
Tem um processo seguro contra roubo
De impedirem que Senhores do Tempo roubem naves
Daquele adorável lugar
Tem bibliotecas imensas
Árvores com folhas de vidro
Para ver os raios vindo dos dois sóis
Passarem por elas

E quando eu estiver mais triste 
Mas triste de não ter mais jeito 
Perdida num buraco negro
Pronta pra morrer
-Lá sou amiga do Doutor -
Lá poderei viver
Sem tem que perceber 
O quanto tempo passou 
Vou-me embora pra Gallifrey.



*Poema baseado no poema de Manuel Bandeira,Vou-me embora pra Pasárgada.

sábado, 18 de maio de 2013

Um dia realmente bom

Daqui
Um dia nunca é igual ao outro,isso é fato.Quando meu dia é bom ou quando aconteça uma coisa com ele,desejo que o resto dos dias que vivo sejam parecidos com este tão feliz que vivi.E por incrível que pareça,passo boa parte do dia que estou vivendo com essa sensação.Não essa sensação,tudo tem que ser perfeito ou que tem de ser igual ao outro que passou,porque eu já tentei inúmeras as vezes fazer que todos os dias fossem uns iguais aos outros,mas percebi que isso não daria certo.
Eu me conformei com a situação,foi isso que eu fiz.Foi meio chato de aceitar,mas com o tempo agente percebe que nada seria igual.Haveria dias em que minhas noites seriam as melhores da minha vida,e haveria outras que eu quisesse sumir para pensar um pouco em tudo o que eu fiz.E aqueles bons dias,que da até gosto de aproveitar.Aqueles dias,em que o nascer do sol visto da janela do ônibus se torna sua epifania diária,ou,o por-do-sol da janela do seu quarto e outra epifania vem com ela,é isso que eu tento aproveitar.Tento olhar para esses dias bons e pensar que pode haver outros melhores que esse,que me gerem mais e mais lembranças,que eu nunca vou conseguir organiza-las e escreve-las para guardar pro resto da minha vida,mas eu sempre consigo me lembrar delas,uma hora ou outra,seja na escola,seja em casa antes de ir dormir.
Afinal,todos nós vivemos a vida um dia de cada vez,e em algum momento,agente sempre faz uma "sessão nostalgia" pra jamais esquecer.

quarta-feira, 8 de maio de 2013


E se for realmente embora,feche a porta querido,a noite sempre faz frio aqui,não quero ter mais um outro resfriado e ter mais outra dor de garganta.Só quero que pense.Pense em tudo o que fez,pense naquilo que deu certo,e naquilo que deu errado.Só não me culpe,como todos sempre fazem,diga ao menos uma vez que a culpa foi sua,que tudo o que eu fiz foi te contar a verdade,te mostrar meus ossos velhos e a pele ensanguentada.
Só pense ou não.Conte ao seu analista tudo o que passou,ou então conte a minha mãe,porque na certa ela vai te dizer que isso é só da sua cabeça e que nada disso passou de mais um sonho irreal.
Mas não me culpe querido,meus problemas já me deixam com muitas dores de cabeça.
Ou me ame.

domingo, 5 de maio de 2013

Pictures Of Lily - Capítulo 9

Essa linda capa foi feita pela minha amiga,Inara do Invasão Britânica!A Atriz que interpreta a Marie é a Natalie Portman *-*

   
Marie sorria para a câmera, enquanto Jim a fotografava.Parecia que a aquela noite de sono a lhe fora tão boa quanto alguma aspirina que tivesse tomado para tentar aliviar suas dores.Mas aquele remédio havia um nome,e este nome era Jim Morrison.
Jim sabia que ele e Marie estavam flertando,desde a festa na casa de Ray, Marie começara a sentir algo por Jim,mas tentava não mostrar,ainda amava Roger,mas ao mesmo tempo queria estar aos beijos com ele.
-Aqui é tão lindo – disse Marie observando cada centímetro do Central Park – é quase igual aos filmes, mas só que melhor!
-Não tão lindo quanto seu sorriso – disse ele enquanto a ainda a fotografava.
-Ah Jim,não precisa disso – respondeu ela corando.Ele se aproximou dela e tocou com um de seus dedos sua bochecha direita,estavam tão quentes quanto qualquer outra coisa que ele já havia sentindo em sua vida e lhe deu um pequeno beijo nesta.Foi ali que Marie descobriu que estava apaixonada por Jim.
***
Roger tentava buscar forças para tentar tomar um pouco de café,mas seu estomago rejeitava tudo o que lhe era oferecido.Keith e Nora tentavam alegra-lo com a certeza de que Marie voltaria para ele.
-É só uma questão de tempo – disse Nora, segurando sua mão direita – eu sinto isso,só de um tempo a ela.
-Daqui a pouco sua pequena estará de volta e você terá que pedir desculpas de ajoelhado para ela! – disse Keith enquanto tragava um cigarro. Roger deu um pequeno sorriso – mas agora,eu e minha boneca vamos dar uma volta por aí!Ela vai gravar um filme!E eu vou ser o ator do filme dela!
-Não sabia que era cineasta,Nora! – disse Roger.
-Sou apaixonada por cinema! –disse ela sacando sua câmera – e o filme só pro clube de cinema que participo!
-Boa sorte – desejou-lhe Roger – torço pra que ele ganhe um Oscar!
Nora agradeceu,ela e Keith se despediram de Roger,e saíram do hotel de mãos dadas.
***
Alice,Mike e Belle,caminhavam junto a John e Anastacia pela Broadway.Ana estava completamente fascinada por todas as aquelas luzes,pessoas e peças que estavam sendo transmitidas nos teatros.
-É quase como em Breakfast’s At Tiffany! – disse ela à John – mas só que real!É maravilhoso!Queria estar usando um daqueles vestidos que a Audrey Hepburn!Daí eu me pareceria mais com a Holly e entraria no clima do filme...
-Acho que você não precisaria estar usando um vestido daqueles – disse ele envolvendo seu braço em volta de seu ombro – com esse seu vestido azul, você já esta linda!
-Oh obrigada – agradeceu ela – então Belle e Alice,você gostam da Audrey Hepburn?
As duas responderam que sim,Alice gostava dela,não tanto quanto Belle,que presenciará as gravações e passou a contar cada mínimo detalhe a Ana,fazendo com que esta ficasse mais e mais fascinada,e John mais apaixonado por sua namorada.
Em um determinando momento,passaram em frente de uma loja de roupas femininas,onde na vitrine se exibia ao lado de vestidos,uma piteira,que para Ana,lembrava a que Audrey Hepburn havia usado no filme.Ela arrastou John para dentro da loja,junto com Belle e comprou a tal piteira.Enquanto  Alice e Mike esperavam do lado de fora.
-Você já notou que todo mundo quem vem para Nova York acha que esta num filme – disse Alice a Mike.
-São turistas meu bem – respondeu ele – sempre acham que estão em um filme ou uma série,é assim que distraem suas mentes.
Alice sorriu e Mike notou que os óculos dela estavam embaçados,tirou estes com o maior cuidado e limpou-os em sua camiseta,recolocou-os em Alice e roubou-lhe um beijo quente.Acabaram somente sendo interrompidos quando uma voz conhecida,chamou Mike.
-Que coincidência te encontrar aqui cara! – era Micky Dolenz,seu companheiro de banda e de filmagem – não sabia que vocês dois namoravam no meio da rua!
-E não namoramos – respondeu Alice – estamos só esperando eles saíram da loja. – Alice apontou para Belle e John tentando colocar um cigarro na piteira de Ana,sem que este caísse no chão e a vendedora tivesse que explicar novamente como se usava aquela piteira.Até que depois de 10 tentativas,Anastacia saiu feliz da loja,fumando seu cigarro,enquanto John a seguia também fumando um cigarro e Belle ria da cena toda.
-Baba outra vez? – perguntou Micky.
-Sim,estou de babá de novo – respondeu Alice.
***
-Roger às vezes podia se tocar,que ele não é o centro das atenções – disse Pete a Felicity,enquanto entravam num barco para ver a cidade pelo rio Hudson.Pete foi até uma das bordas do navio e pôs a observar as pequenas ondas que se formavam enquanto o barco começava a se movimentar
-Vamos parar de falar do Roger por um instante – disse ela,o abraçando por trás e lhe dando um beijo em sua nuca – porque você falou a noite inteira dele e minha insônia atacou no momento em que você gritou “Roger eu vou te matar!”,assim não dá!
-Eu não falo dormindo – disse ele,colocando seus óculos escuros para não ser reconhecido por ninguém – sou sonâmbulo,não se lembra?
-Eu sei disso meu amor – lembrou-se Felicity – e seu sonambulismo sempre ataca nas minhas noites de insônia.Sabia que hoje,só consegui dormir eram 4h30 da manhã,quando você ficou quieto.
-Você deve estar muito cansada então – disse Pete a aconchegando em seus braços – quando este passeio terminar,voltamos para o hotel para que você descanse um pouco minha gatinha.
Felicity sorriu e balançou a cabeça num sinal de sim.Os dois começaram a prestar a atenção no que o guia que explicava cada ponto da cidade.
-Com licença,mas você não é Pete Townshend? – perguntou um jovem magricela,vestindo uma camiseta florida e calças pretas,seu cabelo começava a se fundir com seu rosto começando a criar pequenas costeletas.
-Sou sim – respondeu Pete. – eu já vi você em algum lugar,só não estou me lembrando de você...
-Sou John Densmore,baterista do Doors  - ele estendeu sua mão e cumprimentou Pete e Felicity – seu amigo loiro não esta com você esta?
-Ah não,Roger preferiu ficar no hotel – disse Pete tirando seus óculos,fechando e colocando dentro do bolso de sua camisa – quis guardar as energias pra tentar procurar a namorada e será que você não tem alguma notícia dela?O hotel que ela se hospedou ...?
-Ela esteve numa festa na minha casa ontem – disse John – acabou adormecendo no sofá e Jim a levou para o seu apartamento,possivelmente ela ainda esta com ele.
-Ana disse que ela estava procurando um hotel – disse Felicity,lembrando-se da conversa que teve com Anastacia e Nora sobre o telefonema de Marie.
-Sim,ela telefonou e disse isso – respondeu John – mas acabou adormecendo,acabou nem tendo tempo para procurar um.
-Então ela esta com Jim? – perguntou Pete.
-Sim – respondeu John –olha eu só estou contando isso pra vocês,porque estou preocupado com a garota,vejo que é uma boa moça e não quero que ela saia machucada dessa história toda.
-Mas por quê? – perguntou Felicity intrigada – o que poderia acontecer com Marie?Ela conhece a cidade,já esteve aqui a trabalho,mês passado e o que poderia dar de errado?
-Ela esta com o Jim – falou John – e tudo pode acontecer.
***
Marie voltara para o apartamento de Jim,este tinha que se preparar para uma entrevista e ela,iria procurar Roger e conversar com ele,e ver se faziam as pazes.Enquanto caminhava pelos cômodos do apartamento,achou em um dos quartos uma máquina de datilografar e sua vontade de desabafar era tão grande,que sentou-se e pegou uma das folhas que estavam ao lado da máquina,colocou nesta e pôs a escrever um pouco.
Ela queria pegar o primeiro trem para fora da cidade e sumir por uns tempos,sem deixar sequer um bilhete avisando a todos que não voltaria para casa por um tempo.Queria viver um pouco,sem que ninguém dissesse como deveria ser e o que ela deveria fazer.Queria que dali em diante sua vida fosse guiada por ela mesmo.Susan queria somente viver.
-Você escreve muito bem – disse Jim,encostando uma das mãos ainda meio molhadas em seu ombro.Marie olhou para trás e viu que este ainda estava de toalha e seu coração foi até a sua boca. –  você já escreveu um livro?
-Sempre tive vontade – respondeu ela – mas nunca consegui passar o primeiro capítulo...
-Por quê? – perguntou ele.Marie virou para responder,mas viu que este tinha acabado de tirar sua toalha e entrar em seu closet atrás de uma muda de roupa.
-Porque eu não tinha muita criatividade – respondeu ela um pouco envergonhada com toda aquela situação – e prefiro escrever coisas que não tenham que passar de 5 páginas.
-Mas que tipo de escritora é você que não passa do primeiro capítulo? – perguntou ele saindo do closet abotoando a camisa e arrumando suas calças – te proponho um desafio,se você consegui escrever ao menos 3 capítulos,eu mostro hoje a noite pro Truman e vejo se ele gostou do que você escreveu,tudo bem?
-Tudo – respondeu Marie concordando com o desafio – mas quem é Truman?
-Truman Capote – respondeu Jim com a maior serenidade – agente é meio amigo sabe?As vezes xinga meus poemas,as vezes não,depende do quanto ele bebeu.Talvez ele goste de você Marie,ele adora uma história sobre fujões.





quinta-feira, 2 de maio de 2013

Retalhos

A vida é feita de pequenos retalhos velhos costurados com uma linha fina,por uma velha com seus óculos com 6 ou 7 graus de miopia em cada olho.Essa linha a qualquer momento pode arrebentar e os retalhos acabam caindo debaixo do sofá e da estante repleta de livros que aquela mulher´jamais ousou ler,e lá mofarem e encherem de pó até que alguém limpe aquele lugar.

Num momento,a costureira se distraí com a novela das 3h00 e acaba furando seu dedo com a agulha afiada de indecisão e todos aquelas loucuras de todos aqueles retalhos que ela havia costurado durante toda a sua vida,somem em algumas gotas de sangue.

Até que chega um dia que não a nada mais para ser costurado e tudo o que lhe resta é viver sob a luz do sol.