quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Tem alguém ai?

A gente acaba voltando para a superfície da forma mais inesperada.Eu sei.Acordei hoje de manhã sentindo isso,sentindo que me libertei de alguma coisa que eu não sabia o que era,mas me libertei.Não estou mais presa a coisas que todos me prendiam,porém eu me acorrentei a outras coisas que,de alguma forma poderão ou não mudar a minha vida,além de outras que eu ignorei para poder seguir em frente.

Mas penso que as vezes eu não deveria ter voltado da onde eu estava.Deveria ter ficado naquele pequeno local,onde eu estava muito bem confortavel e entorpecida,porque lá era o meu lugar,não aqui,eu ainda sinto isso e sentirei tudo isso até poder ter a chance de voltar para lá,abandonando tudo de novo.Mas não posso fazer isso,ainda não.Ainda quero fugir,mas não posso.

Já vou logo avisando,se eu fugir de novo,eu não vou levar você,deixarei você na sua casa,com seus livros,com suas músicas,com a sua vidinha,aquele lugar não é pra você e nunca será,pois nunca vou fazer do meu refúgio seja o seu também,é o meu refúgio,você tem sua casa se acomode-se nela,não na minha!

Como eu já lhe disse e Fernando Pessoa também disse,se for para ir para o inferno,eu prefiro ir sozinha,não quero que alguém segure a minha mão para mostrar o caminho,eu já sei qual é,porque eu voltei de lá,há alguns dias.

sábado, 19 de outubro de 2013

Ao Poetinha.

Querido Vinícius,

(posso te chamar de querido?Acho que posso sim!Afinal temos uma certa relação longa e confusa...) 

Você sabe que eu não sou boa com homenagens,você sabe muito bem,mas vou tentar.Por onde eu devo começar?Acho que já sei.Eu tinha uns 4 anos quando eu te conheci meio indiretamente,pois minha avó cantava "A casa" praticamente todos os dias e durante boa parte da minha infância eu tentei encontrar a Rua dos Bobos número 0,até eu descobrir que era um poema -um pequeno trauma de infância,mas whatever. Depois veio minha primeira peça de teatro,A Aquarela,é claro,eu ainda não te conhecia,mas guardei aquela lembrança pro resto dessa minha vida.
Tempos se passaram e com 13 anos,lá estava eu perdida na biblioteca da escola no fundamental II,procurando um livro pra ler,um livro diferente de todos.Fui na sessão da letra V e lá estava,aquele pequeno livro de capa azul com um desenho de um casal de mãos dadas,no qual estava escrito "Antologia Poética".Folhei o livro,achei interessante,tomei-o emprestado e levei pra casa e mostrei a minha mãe,ela disse que já havia lido e que era um dos melhores livro de poesia de todos os tempos.Leia esse daqui,disse ela me mostrando o Soneto do Amor Total,é melhor de todos.
Foi tiro e queda,me apaixonei,não só pelo livro,mas você também,querido.Afinal eu tinha encontrado o meu escritor favorito.
E durante 3 anos eu tornei a tomar emprestado esse mesmo livro,mesmo tendo mudado de escola,até que eu consegui um exemplar dele,que acabou se tornando o meu livro favorito.
E essa relação confusa cheia de encontro e desencontros pendura até hoje.Não nunca te abandonei,mesmo lendo milhares de livros todos os anos,mas sempre que posso,abro a Antologia e releio alguns poemas,para matar a saudade.
E mesmo todos da minha classe jurando que a professora de Português irá de te roubar mim e que o Chico Buarque tomará o seu lugar,eles estão muito enganados (mesmo eu amando o Chico),meu coração e minha inspiração serão sempre por sua causa.
Afinal teremos mais 100 anos juntos,meu bem.
Com amor,

Mariana.