segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Brigadeiro

Não sou boa com os "flertes" em que a vida me proporciona. Até porque eu não sei sorrir de uma forma cativante-bonita-sedutora,nem dar aquelas piscadelas que aprendemos nos filmes,muito menos entregar aquele bilhetinho pro boy dizendo "Tô afim de você, vamos ficar?" ou pior mandar aquela  mensagem com aquela indireta feat declaração no whatsapp. 

Na realidade meus caros,eu não sei fazer nada disso. 



Sou do tipo de pessoa que se você manda olhar discretamente pessoa ou coisa, eu olho da forma menos discreta o possível e ainda solta aquele comentário:"É ele?", deixando não só a pessoa que esta ao meu lado constrangida, mas também aquela em que esta havia me mostrado e todo mundo a nossa a volta. Em resumo, eu sou um desastre.

Mas nesse estranho desastre que eu vivo às vezes me ocorrem algumas engraçadas.

Há mais ou menos duas semanas, eu estava indo para a faculdade realizar a minha prova de Psicologia Social, estava um trânsito e eu fiquei me perguntado se daria tempo de chegar na faculdade, pois a prova seria na primeira aula. Tomei um ônibus um pouco vazio e me sentei  ao lado de um cara,naqueles bancos maiores,aqueles em que as crianças enlouquecem quando sentam.

Até ai tudo bem e como eu estou sem nenhuma música no meu celular, então acabo ficando a mercê dos meus pensamentos, do 3G e do resumo que eu tenho que estudar, então nem ligo para quem esta sentado do meu lado, até acho que a pessoa também esta pouco se lixando para mim. Porém o cara que estava sentado ao meu lado, começou a demonstrar um certo interesse pelas minhas anotações sobre "O que loucura, sobre as formas como a história cuidou dos loucos e de como a sociedade atualmente os encara". Olhei para a criatura e reconheci-o. 

Tomo ônibus com esse ser praticamente todos os dias com esse cara, ele não é feio, nem bonito, mas se me chamasse para tomar um café eu até toparia, sabe? E as vezes sento ao lado dele, quando não tem um lugar disponível perto da janela do lado direito do ônibus,onde fica o trabalho do meu crush.E justamente nesse dia, meu crush não estava trabalhando.

Acabei partindo pro 3G e abri meu whatsapp e descubro que fui incluída num grupo chamada "Família ZIKA de Itupeva".Achei aquilo muito louco e estranho,até porque eu nem sabia onde ficava Itupeva - até que me contaram que ela fica no interior de São Paulo - e segundo que desde que eu troquei de celular, consequentemente acabei trocando o número de celular e não passei para os meus parentes que chato que tinham um grupo no whatsapp e zoavam a minha cara por eu ficar em casa vendo meus filmes do que ir pros 8938493849389 churrascos que eles faziam e ficam totalmente bêbados (existem lá suas vantagens de ser anti social). Sai daquele grupo e já que não tinha nada para fazer, eu comecei a me perder em meus pensamentos.

Me perdi tanto nesses que só voltei para superfície quando vi que o moço que estava sentado do meu lado tirou um brigadeiro de um dos bolsos da bolsa e eu estava no comecinho da estranha dieta que minha mãe havia me colocado, na qual eu estava sem comer doces já fazia uma semana. "Droga, só porque eu to dieta!" pensei.Até que ele se virou para mim e me ofereceu o brigadeiro e acabou me assustando.

"Você aceita um pedaço?"
Pensei, não sabia o que responder, ele ficou me encarando e eu não sabia o que fazer.
"Aceito um pedacinho sim"
Cortei de um jeito desajeitado um pedaço e depois ele deu uma dentada no brigadeiro e me deu o resto.
"Obrigado"
Ele me deu uma piscadela e eu corei e pisquei pro moço também. Flertamos,pelo menos é o que eu acho e foi até engraçado.


Pensei em dizer meu nome pra ele,mas não consegui.Só tinha vontade de rir de tudo por umas duas horas seguidas.Pouco depois ele despediu com um " A gente se vê por aí" e desceu do ônibus no ponto em frente da universidade dele e eu desci no outro ponto, rindo feito uma louca.Quando cheguei na faculdade contei pro pessoal,todos acabaram achando que isso era muito louco e que essas coisas só poderiam acontecer comigo e eles têm razão mesmo!

Fiz a prova e dias depois vi que tirei 10. Não sei se o brigadeiro ou ele deu sorte, mas sexta passada quando estava indo para faculdade, reencontrei no ônibus, ele piscou para mim e pisquei de volta como resposta, depois me sentei num banco no final do ônibus e acabei cochilando e só vi ele descendo do ônibus,ainda sorrindo para mim, enquanto eu pensava: "Deve ta frio assim porque essas coisas estão acontecendo comigo, ou deve ser uma frente fria que se aproximou de São Paulo. Essas coisas acontecem".

3 comentários:

  1. Seus textos me fazem sorrir Mari, Já descobriu o nome dele? haha *-*

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  2. Maris no maior estilo garota misteriosa e apaixonante do ônibus. Ai ai, que fofura <33333
    http://sobreveranizar.blogspot.com.br/

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  3. Oi amei seu texto. Me identifiquei muito nele,sou um desastre quando se trata de paquera. Parabéns pelo blog.

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