sexta-feira, 24 de julho de 2015

Acumulação

Nesse terceiro semestre de jornalismo, tive a honra de ter aulas de Literatura com uma maravilhosa professora chamada Sílvia Quintanini,que não só me me introduziu ao vasto mundo da crítica literária, mas também me proporcionou conversas adoráveis sobre livros,filmes, a vida dela no meio literário e um grande incentivo à prestar vestibular para o curso de Letras na USP, depois que eu concluir essa graduação, daqui à dois anos. 

Numa de nossas conversas, ela me contou sobre a quantidade de jornais que ela tinha na casa dela que ela não havia lido até agora. "Eu assino [o jornal] e deixo lá no canto junto com outros, prometendo para mim mesma que vou ler todos, mas nunca leio",ela também me contou que isso pesa muito a consciência dela,já eu respondi que sinto isso em relação ao meus livros,tenho tantos que quero ler mas por pura preguiça e por ser um pouco lenta,não consegui terminar minhas metas de leitura (acho que todo leitor sofre um pouco disso,então não tô sozinha nesse mundo).

Como último trabalho para a turma,ela passou um trabalho para nos introduzir na crítica literária, a área no qual ela é especializada e para isso,ela nos trouxe vários exemplares do caderno Ilustríssima, que sai todo domingo com o jornal, Folha de São Paulo e tenho que admitir,esse é o meu caderno favorito (olha ai o jabá de graça). Quando vi aquele calhamaço de jornais na minha frente acabei ficando louca e querendo ler tudo e não deixar a galera da minha sala pegar nenhum. Consegui pelo menos dar folheada nos jornais e consegui pegar dois exemplares para mim.

No último dia que tivemos aula com ela - já que nesse próximo semestre não teremos sua matéria, o que me deixa um pouco triste, já que amo literatura -  acabei ganhando um presente dela, mais algumas edições desse caderno, como um presente de fim de semestre. Foi lindo? Foi! Fiquei tão feliz que dei alguns pulinhos na sala vazia, enquanto minha amiga Aline, observava e ria dessa situação toda.

As férias chegaram e eu tinha uma gama de coisas pra ler. Comprei mais alguns jornais e revistas, para assim me ocupar. Mas quando chegou agora no meio de , eu percebi que não tinha nada feito disso e entrei em pânico. "O que eu faço?", perguntei ao meu melhor amigo, Gabriel, enquanto nós dois cruzávamos pela República esses dias e eu lhe contava sobre isso, "Leia tudo", foi o que ele respondeu. Aquilo ficou ressoando na minha cabeça,enquanto tentava dar um jeito na minha vida e o meu estranho medo de ficar sem alguma coisa para ler voltou à atormentar meus pensamentos.

Até que esses dias, minha mãe disse: "Ou você dá um jeito nesses jornais ou eu vou jogar tudo fora! Não aguento mais ver esse seu sofá todo bagunçado!". Tomei vergonha na cara e arrumei as coisas. O medo de não ter nada para ler deu uma parada e me organizei; dei os cadernos de economia,mundo, esportes e imóveis para o meu avô e fiquei com os cadernos de cultura e cotidiano para mim,pois preciso ler sobre o rolou nessa cidade que não tem amor e ter mais um pouco de inspiração.

Só que vou ter de esperar um pouco para ler tudo,o problema agora que tenho que estudar para o exame do Denatran, um dos elementos fundamentais para tirar a habilitação e dei um pause em todas as leituras. As férias estão acabando e tudo o que eu me pergunto é,será que vai dar tempo de ler tudo?Acho que não.

terça-feira, 7 de julho de 2015

5 anos de blog e uma redescoberta

Esses dias minha mãe descobriu que tenho um blog. Na verdade acho que ela redescobriu esse fato. Quando criei o Almanaque em 2010, ela me encontrou num dos meus cadernos da escola uma folha de caderno que escrevi com várias ideias para o blog e ela achou bem legal até a ideia de eu começar a postar meus textos já que ela me achava muito 'criativa e inovadora'.

Passou-se cinco anos depois desse momento e esses dias, eu estava conversando com o meu irmão sobre o sonho dele de ser youtuber - ele tem 11 anos, e como qualquer pré-adolescente no momento,ele é viciado em games e vídeos sobre games -, e minha mãe indagou ele: "Se você criar esse seu canal, você espera ser famoso?"  e ele respondeu: "Sim mãe, igual a Mariana com o blog dela". Minha mãe olhou para mim com um ponto de interrogação em seu rosto e perguntou:"Como assim você tem um blog?".

Como assim você tem um blog?" deve ser a pergunta que mais escuto quando conto as pessoas sobre esse meu pequeno espaço que possuo nesse vasto muito na internet. Já ouvi que não tinha cara de blogueira,já ouvi de pessoas que essa coisa de blog não é coisa certa e que devo partir para outra e uma professora da faculdade me disse que tinha que mudar a linha editoral daqui porque um blog sem foque não ia para frente e eu respondi:"Eu sou dona do meu blog, eu escolho que postar", my blog my rules.

Quando contei todas essas coisas para a minha mãe ela ficou um pouco surpresa e achou legal. Até o dia que eu estava vendo Rei Gado (adoro ver novela galera) no quarto do hospital em que ela estava internada,depois de ter feito a cirurgia no joelho dela,ela perguntou de novo sobre o blog e como ele andava.Contei que ele estava meio abandonado por conta da faculdade e que nessas férias eu não estava conseguindo escrever.

"Mas esse negócio de blog da dinheiro?", perguntou ela
"Sim,mãe", respondi.
"Por que você não investe nessa área? Acho que você se sairia bem com esse negócio",sugeriu ela.
"Até que não é má ideia",respondi. E talvez eu invista mesmo nesse negócio aí.