segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cemitery Gates

emo_gotico,jpg.

Ano passado tive algumas de Filosofia nas quais estudei um pouco de Freud. Em meio as suas teorias sobre repressão,a loucura e como a sociedade surgiu através de tribos na África e na Ásia,acabei encontrando uma teoria interessante sobre o medo. Freud explica que o medo não é algo esclarecido e quando esclarecido acaba-se com a existência deste. Ao enfrentarmos e revelarmos o real porque de termos tal fobia conseguimos assim por viver melhor. Depois de tal monólogo usando um monóculo para explicar isso,aconteceu algo nesse ano que fez parte dessa teoria entrar em prática. Eu enfrentei meu medo por cemitérios. 

Não vou entrar em detalhes o porque eu sentia tanto medo desse tipo de lugar,pois envolve questões que acarretariam em debates chatos sobre religião e a contestação da minha lucidez (?) e o que menos quero é esse tipo de coisa aqui (até porque eu penso de uma forma e você caro leitor pensa de outra,temos valores diferentes e devemos respeitar isso).



Antes não entrava em cemitério nem se me pagassem um milhão de reais, nem se o papa ou Paul McCartney me pedissem. Eu sabia muito bem várias ruas/bairros que possuíam necrópoles e rotas alternativas para que se pudessem evitar de passar enfrente a uma. E quando algum familiar meu falecia,eu era obrigada a participar do cortejo fúnebre. Mas sempre tinha algo que me fascinava nesse lugar. Seria o silêncio? Seria a sensação de calma que esse lugar me traz? Seria o meu amor por histórias de vampiros? Ou a recente paixão pelo existencialismo? I don't know, mas desde junho encontrei meu novo lugar favorito na cidade de São Paulo. 

Gabriel e eu havíamos saído da Casa do Mário de Andrade, que fica na Barra Funda e cruzamos a cidade em direção à Av. Paulista. Em determinado momento chegamos exausto e um pouco perdidos à Consolação e tudo o que eu sabia sobre aquela região, graças ao SPTV,é se você acha o Cemitério, você acha a Paulista, achamos o cemitério e meu melhor amigo resolveu me testar e entrou e ficou falando para que eu entrasse. Num misto de medo e fascinação, com o coração na boca, entrei e aos poucos, procurando o túmulo de Mário de Andrade, meu medo, aquele serzinho que fica te rondando e te assustando foi se acalmando, e até pude presenciar a gravação de uma série brasileira da HBO (até hoje não sei o nome dessa série, se alguém ver por ai algum episódio que tenha um cortejo fúnebre em um cemitério, me avisa por favor!Eu tava lá esse dia!). 


Apenas observando essas suas zueiras fera.


Um mês depois, logo que sai da exposição do Truffaut, eu e Gabriel fomos lá e achamos o túmulo do Mário e do Oswald de Andrade. E uma semana depois desse dia que foi tão épico, a revista que vem na Folha de São Paulo de domingo,essa matéria,sobre a prefeitura de SP tenta aproximar as necrópoles em lugares em que as pessoas comuns possam frequentar como um tipo de parque,onde terão contato também com a história e com a arte que possuem nos túmulos. 

Passei o resto dos meses descrevendo para qualquer pessoa - inclusive assustando boa parte delas - que o Cemitério e a Consolação se tornaram meu lugar favorito na cidade, o que fez com que eu me tornasse a rainha das trevas e a Consolação ser o sinônimo da minha pessoa.Definitivamente, essa rua se tornou uma espécie de segunda casa para mim. E quando surgiu a oportunidade de fazer uma pauta no trabalho de fotojornalismo sobre o assunto,acabei pirando de alegria. 

Ai começaram alguns problemas de quem iria comigo,já que meus pais baixaram a lei que não poderia ir sozinha e meu parceiro de crime,o Gabriel, esta estudando medicina em Porto Alegre (alguém nessa amizade tem que ficar rico,né mores). Marcava com um não dava,marcava com outro também não. As provas e a data de entrega do trabalho estavam próximas e com isso eu estava quase derrubando essa pauta, foi quando convenci a Joy, o Ricardo e o Wil a me acompanharem nesse rolê e eles aceitaram. E alguns dias antes de cumprir a pauta,acabei perdendo uma tia muito querida e acabei,internamente dedicando esse trabalho a ela. 



Foram quase 100 fotos em duas horas de andanças, em um sábado frio e chuvoso favorável para fotos de túmulos. Andei metade desse cemitério, só não consegui entrar no Cemitério dos Protestantes,onde tinha alguns túmulos góticos ( e eu amo coisa gótica),pois a entrada dessa parte do cemitério fica do outro lado da Consolação e eu já estava bem cansada de andar.

A principal sensação que eu senti e sinto ao olhar essas fotos todas,é de estar dentro de um clipe dos Smiths,até porque um dos lugares que Morrissey, meu rei, gosta de frequentar é os cemitérios e por isso abri esse post com uma foto dele com sua lápide. E por isso, em 1987, os Smiths cantaram em Cemitery Gates, o encontro de dois amigos no cemitério num dia quente de verão. E por um dia, eu entrei de cabeça nessa música.



A dreaded sunny day 
So let's go where we're wanted 
And I meet you at the cemetry gates 
Keats and Yeats are on your side 
But you lose 
'Cause weird lover Wilde is on mine.



2 comentários:

  1. Tudo faz sentido aí! E esse cemitério é digno de filmes e seriados pra quem quiser filmar. Amei esse post!

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  2. Mari, você não tem ideia da sensação de paz que esse lugar me trouxe. Foi muuuuito bom ir contigo neste trabalho. Fiquei com medo também, mas aos poucos o unico medo era da quantidade absurda de mosquitos e pernilongos. hahaha
    Ótimo post <3333
    Beijinhos!

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